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A qualidade do ar que respiramos

A vida no planeta Terra depende basicamente de quatro elementos: água, ar, luz e alimento.

O ser humano pode ficar vários dias sem se alimentar e beber água, mas somente poucos minutos sem respirar (o recorde mundial de apneia é de 9 minutos).

Após alguns minutos sem respirar, o corpo entra em colapso, os neurônios morrem e os danos são irreversíveis. Você não pode se recusar a respirar…e sabe o que é pior? O ar que respiramos não é tratado! Ele está contaminado por diversos poluentes que são lançados diariamente na atmosfera por fontes emissoras diversas. O ar poluído atinge os pulmões e desencadeia uma série de processos inflamatórios do sistema cardiorrespiratório.

Segundo dados do Global Burden of Diseases, Injuries and Risk Factors, a poluição do ar mata mais de 7 milhões de pessoas em todo mundo anualmente (WHO, 2012). Esse número é maior que mortes por AIDS, malária e hipertensão.

O aumento de internações hospitalares por problemas respiratórios e os diversos desfechos clínicos são relacionados com os “cigarros ambientais” que fumamos diariamente ao respirar, mas por ser um assassino invisível, a “poeira” tende a ser varrida para debaixo dos tapetes nos centros urbanos e industrializados do Brasil.

É fundamental monitorar a qualidade do ar para entender como se dá a exposição aos poluentes atmosféricos para resguardar a saúde e bem-estar da população. Contudo, o acesso às informações sobre o tema é escasso. As redes tradicionais de monitoramento da qualidade do ar consistem de estações em pontos discretos das cidades compostas por equipamentos caros e de complexa operação. O custo de implantação é alto e gira em torno de R$ 1.000.000,00 por estação. O custo operacional é bastante considerável para a compra de insumos e peças de reposição. Além disso, exige expertise para operação dos equipamentos e análise e validação dos dados.

Como o número de estações e parâmetros monitorados são limitados ao local de medição, os dados, quando existentes, são relativamente esparsos. Talvez por isso, a sociedade civil desconfie dos dados que são gerados pelas redes de monitoramento da qualidade do ar.

O conceito de “Desenvolvimento Sustentável” nada mais é do que o desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades. Significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, uso racional dos recursos da terra, preservando as espécies e os habitats naturais. Portanto, é necessário crescer de forma consciente.

Para que seja possível crescer de forma consciente, primeiramente devemos estabelecer políticas públicas, ações e diretrizes para a correta gestão dos recursos atmosféricos e disponibilizar dinheiro, energia e conhecimento para estudos e pesquisas científicas.

Contudo, é triste saber que, em momentos de crise, os investimentos em meio ambiente são os primeiros a serem cortados seja nas industrias ou no governo. Esses cortes, geram impactos significativos na qualidade de vida da população exposta aos diversos poluentes existentes nos centros urbanos e industrializados.

Estamos caminhando na contramão do Desenvolvimento Sustentável, pois milhões de pessoas morrem anualmente e continuarão morrendo por conta de problemas associados à poluição do ar enquanto países como Estados Unidos saem do acordo de Paris e verbas que poderiam ser investidas em pesquisa são desviadas para o bolso de gestores corruptos que não representam a sociedade e que também estão se matando.

Seria o ar de baixa qualidade que respiramos mais um reflexo da baixa qualidade de nossos líderes?

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